O que é a Vida Consagrada Religiosa?

Na terceira semana de Agosto, o mês vocacional, dedicamos nossos olhares e atenção para a Vocação a Vida Religiosa e Consagrada, uma excelente oportunidade para entendermos melhor o que é e quem faz parte. Por isso, preparamos esse artigo abaixo, esperamos que você faça uma excelente leitura e aproveite o conteúdo exclusivo preparado para você.

Para entender o que é a Vida Religiosa no contexto da realidade da Igreja Católica começamos dizendo o que ela não é:

– O(A) Consagrado(a) à Vida Religiosa e consagrada não é um leigo comum (entenda-se não como maior ou mais consagrado que o leigo, mas há uma diferença).

– O(A) Consagrado(a) à Vida Religiosa não pode ser uma pessoa vocacionada ao Matrimônio.

– O(A) Consagrado(a) à Vida Religiosa não precisa ser necessariamente padre, ou ministro ordenado. Ele pode ser apenas um irmão/irmã; frater (frei)/freira; termos; títulos que designam seu estado de vida.

– O(A) Consagrado(a) à Vida Religiosa não é um(a) solteiro(a), ele/ela tem um vínculo específico na vida da Igreja.

– O(A) Consagrado(a) à Vida Religiosa não é um(a) cristão, uma cristã superior aos outros cristãos, ordenados e leigos. Mas por vocação (um dom pessoal), buscam a radicalidade (essência) da vida Cristã se consagrando à um estado de vida (para o resto de sua vida) que lhe dá a liberdade e a possibilidade de servir integralmente à Igreja, não só por profissão, mas sua vida se configura plenamente, 24hs por dia à serviço da Igreja e suas obras…

– O(A) Consagrado(a) à Vida Religiosa não é uma raridade. Como toda vocação, há muitos que são chamados, mas não conseguem corresponder ao chamado. Houve períodos na História que em todas as famílias o número de filhos que se tornavam consagrados à Vida Religiosa era equiparado aos que se casavam.

– Os (A) Consagrados (a) não são tão conhecidos e tão destacados hoje na Igreja, pois a maioria vivem no serviço silencioso, discreto e dos mais exigentes na vida da Igreja, pelos que mais sofrem, e em milhares, senão milhões de obras educacionais, de saúde, de cuidados com pessoas desfiguradas em sua humanidade.

Então, o que é a Vida Consagrada Religiosa?

A Vida Consagrada e religiosa é uma vocação, ou seja, um chamado que está na essência da pessoa que o percebe ao longo de seu discernimento para encaminhar seu projeto de vida mais estável e que comprometerá a vida.

Há pessoas, como dirá o Senhor Jesus, que não nasceram para o matrimônio, mesmo que tenha normalmente suas atrações e impulsos da vida afetiva, da sexualidade, mesmo assim elas nasceram para viver outro estilo de vida, outro compromisso que as realiza e as faz feliz.
Há pessoas que nasceram para viver um estilo de vida tal como viveu o Senhor Jesus: pobre, casto, obediente. Assim foi o estilo de viver de Jesus. Jesus foi o primeiro e maior dos Consagrados à Vida Religiosa.

O estilo de vida de Jesus não o fez maior por isso, porém demonstrou que há, como à muitos séculos, homens e mulheres que são inclinados naturalmente à viver uma vida pobre (desapegada dos bens materiais); castas (que vivem uma liberdade e um senhorio sobre seus impulsos e gastam sua potência de amor ao serviço da Igreja e consequentemente das pessoas mais necessitadas – pobres, enfermos, educação das crianças, jovens, adolescentes, recuperação de pessoas em dependência de entorpecentes e outros vícios),

A castidade no celibato (não ter relações sexuais) não é uma privação, mas uma condição para viver uma forma de amar diferenciada, integral e integrante, põe as energias emocionais, afetivas, sentimentais aos que estão em condições humanas precárias e lhes dispõem de uma liberdade e força para superar as tendências à vida mórbida e cômoda que o ser humano sempre é tentado à viver.

Essa inclinação que é natural acompanhada pela graça divina supera e faz com que o Religioso e/ou a Religiosa alcance elevados graus de maturidade psicoafetivas e humanizadoras tornando-se exemplo e motivação para toda pessoa humana.

Obediência: O(A) Vocacionado (a) à vida religiosa não tem apenas uma inclinação natural a esse estilo de vida, ele (a) sente que há uma voz divina, um chamado por graça de Deus, para participar mais efetiva e integralmente ao projeto de Deus comunicado por nosso Senhor Jesus Cristo.

Projeto esse que se resume exatamente na dignificação plena da humanidade. “Obedecer” não se pode entender aqui como uma obediência legalista, cega, por querer agradar ou por medos, condições temerárias, forçadamente. Obedecer à Deus é obedecer à verdade que se me apresenta cada dia mais clara, e nela empregar toda a vida. Jesus é o “Caminho, a VERDADE e a Vida”, obedecer é dar ouvidos, atenção, agir conforme a verdade de Deus que atrai, encanta e faz a pessoa sentir-se realizado de um modo muito claro e real.

Como todas as vocações, a Vida Religiosa Consagrada é um caminho para a Santidade, esse na verdade é o projeto de Deus para toda pessoa humana. Ser santo, com a graça divina e nosso esforço. Deus aponta por um ímpeto interior o modo, o caminho que se encaixa melhor em nosso estilo de vida, a Vida Religiosa e Consagrada é uma delas.

Variações, Estilos, Carismas…

Há na Vida Religiosa e Consagrada também variações, as mais importantes são: Vida Contemplativa que é mais reclusa e com pouco contato com a vida secular e a Vida Ativa que tem seu período de maior reclusão, porém há uma interação com a missão na realidade do mundo.

Há comunidades de vida religiosa que mesclam os dois estilos, outras que intensificam mais um ou outro. Entretanto é comum a todas, a vida comunitária, a disciplina de uma rotina de trabalho, oração e estudos. Há diversos carismas fundacionais, fazendo uma comparação bem rasa, seriam como “times de futebol”: têm seu fundador, seus estatutos, sua camisa (uniforme – hábito ou algum sinal – cruz, medalha etc.), suas cedes próprias, suas atividades, mas todos jogam futebol.

Assim, na vida religiosa temos franciscanos, jesuítas, dominicanos, vicentinos, beneditinos, agostinianos, carmelitas… Enfim, chegam aos milhares pelo mundo à fora, cada um com suas variantes, porém todos jogam o mesmo “futebol” na comparação trazida aqui, servem a Deus.

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