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Reconciliação rima com ressurreição? Páscoa?

Acabamos de viver a Quaresma, caminho para a Páscoa, a ressurreição de Jesus. No tempo de Páscoa a nossa Mãe-Igreja nos apresenta, pela sua bela liturgia, o Cristo Ressuscitado que se manifesta aos discípulos e discípulas. Nas aparições que os evangelistas relatam, a sua primeira preocupação foi oferecer reconciliação aos seus discípulos. Deveriam estar entristecidos e desanimados pela morte do Mestre na cruz, e envergonhados pelo próprio comportamento nos episódios da sua agonia, prisão e condenação à morte. Só João se fez presente aos pés da cruz, com Maria e algumas mulheres.

Jesus ao aparecer-lhes, poderia – se agisse como mero ser humano – tê-los repreendido severamente; mas, ao contrário, é ele próprio que toma a iniciativa de se apresentar desejando-lhes a paz e oferecendo-lhes a reconciliação. Exemplo muito significativo é o tratamento dado a Tomé, depois de ele ter posto em dúvida a narração dos colegas e amigos que o haviam visto e reconhecido.  Jesus lhe aparece e convida: “Põe aqui o teu dedo e vê minhas mãos. Estende a mão e coloca-a no meu lado, e não sejas incrédulo, mas crê”. Tomé lhe respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!”  (Jo 20,27-28). E tornou-se um entusiasmado Apóstolo, até dar a própria vida pela causa de Jesus.

De modo semelhante podemos ler a aparição a Pedro que o havia negado três vezes. O Mestre Ressuscitado não o condena, nem lhe retira o poder das chaves, mas o confirma na missão antes confiada. Primeiro come com os discípulos, sinal de comunhão. Depois se dirige a Pedro e lhe pede uma só coisa, três vezes: “Tu me amas?” (cf Jo 21).

Cristo Ressuscitado é mesmo a nossa paz. Deseja a paz, promove a paz que reconcilia. Nos escritos paulinos fica claro que a reconciliação do homem com Deus – por iniciativa de Deus – é meta de toda a obra e da pessoa de Jesus (Ef 2,14, 2Cor 5,17-21 e mais 12 outras passagens dos seus escritos).

Reconciliados, os discípulos passam a viver a Páscoa com alegria e esperança. A Páscoa antiga era celebrada como memória da passagem da escravidão no Egito à Terra Prometida. Agora celebram a passagem da morte à vida do seu Mestre e Pastor. Celebram-na agindo, por amor. Amar para eles é fazer o mesmo que Jesus fez. Ajudarão muitos a fazerem a passagem das trevas à luz mediante a adesão à pessoa de Jesus morto e ressuscitado e a serem iluminadores de outros irmãos e irmãs.

Também a vivência da nossa Páscoa, hoje e amanhã, deverá ter essas mesmas características: deixar-nos reconciliar por Cristo; amar fazendo o bem que Jesus fez; ajudar outros a fazer passagens. Que tipo de passagens? Da morte à vida. Morte é egoísmo, pecado, divisão, trevas, muro. Vida é querer o bem ao outro, é acolher a graça que Deus oferece, é fazer unidade e fraternidade, é ser luz que indique o caminho, é erguer pontes que aproximem pessoas e as reconciliem.

Ainda temos necessidade disso no Brasil? Deixemos a pandemia responder: estou vencendo, estou matando, estou enlutando e empobrecendo pessoas, famílias, empresas e o país, enquanto vocês se dividem em vez de se unirem, muitos irresponsavelmente egoístas, não preocupados com a saúde e a vida do outro.

Sim, podemos promover a vida superando uma cultura de morte. Essa é a tarefa de cada seguidor de Cristo e de cada comunidade de irmãos em Cristo. Podemos, sem dúvida, tornar real a experiência de Páscoa em nós e na sociedade. É responsabilidade pessoal e de cada comunidade cristã fazer unidade, derrubando cercas e muros e projetando pontes entre brancos e negros, ricos e pobres, empregados e desempregados, sãos e enfermos, instruídos e analfabetos, entre os que vivem na superabundância e os que penam na miséria. Sim, somos capazes de gerar um mundo de reconciliados que vivam em paz, cooperando uns com os outros, em Cristo ressuscitado que “está no meio de nós”, como professamos em cada Eucaristia que celebramos.

 

Pe. Cláudio Weber, scj

5 Comentários
  • Fátima
    Postado em 19:41h, 06 abril Responder

    Padre Claudio, sempre bom ler seus conteúdos. Deus o abençoe.
    Sejamos pontes que unem.

    • Cláudio Weber
      Postado em 16:04h, 07 abril Responder

      Muiito obrigado, Fátima e Alayses

  • Alaises dos Santos Gimenes
    Postado em 20:46h, 06 abril Responder

    Nosso país precisa de mais união, mais respeito pelo outro, mais solidariedade, mais justiça, menos ódio, mais amor, maus Deus.
    Que Jesus renasça no coração de todos os brasileiros e no mundo inteiro e afasta esse terrível coronárias que está matando os povos do mundo inteiro.
    Jesus, por sua vida, morte e ressurreição, tende misericórdia de nós

  • Alaises dos Santos Gimenes
    Postado em 20:52h, 06 abril Responder

    Obs: no lugar de maus Deus, : mais Deus,
    Coronárias: corona vírus.

  • P. Cláudio Weber
    Postado em 16:05h, 07 abril Responder

    Desculpe: Alaises

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