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Podemos pedir bênçãos e curas para nossos animais de estimação, por intercessão de algum santo?

Não é de hoje que os seres humanos adestram animais e, na relação animais e seres humanos, é possível observar certos vínculos, até com algum nível de afeto.  Evidentemente nunca igualados ou similares aos vínculos humanos. Os animais dispõem de certo nível de inteligibilidade, no entanto, apenas no âmbito instintivo. Não se igualam em dignidade, nem em capacidades inteligíveis aos humanos, em hipótese alguma.

Algum vínculo afetivo dos humanos em relação aos animais, por mais que pareçam recíprocos da parte animal, sempre é instintiva. O animal cria vínculos por instinto de sobrevivência e das suas necessidades fisiológicas. O ser humano não, ele vai além. A capacidade de amar do ser humano é mais exigente e complexa, e só encontra reciprocidade completa com outros seres humanos. Por isso, não é possível jamais igualar ou equiparar o amor do ser humano por um animal como por um outro ser humano.

É possível constatar certas situações doentias nas relações humano e animal de estimação. Há sim transferências afetivas, neuroses e até psicoses, entre outras desordens psicológicas que são identificadas no trato com os animais. No entanto, são situações em exceção. O animal de estimação não substitui a necessidade da reciprocidade dos vínculos humanos, porém, em certo nível, supre algumas situações como, por exemplo; auxílio de orientação de pessoas com deficiência visual, presença lúdica e de descontração de pessoas que moram sozinhas, idosos, crianças, etc..

É evidente que das criaturas que se conhece até então, no universo, sem sombra de dúvida, o ser humano está no topo da cadeia evolutiva do mundo animal e vergetal. Isso não significa que sua superioridade seja álibi de uma atitude moral degradadora e opressiva diante da natureza. Mas sim, de responsabilidade e harmonia. O mundo criado está à serviço do ser humano, mas ao mesmo tempo, sob sua responsabilidade. Assim está subjacente a mensagem teológica da Criação na narração do livro do Genesis. Mais ainda, o ser humano, não só tem a prerrogativa de administrar, mas de trabalhar no processo evolutivo da Criação, que em termos teológicos, diríamos da fecundidade (cf. Genesis, todo o 1º e 2º Capítulos).

OS ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO E A NOSSA FÉ

Nossa doutrina nos ensina que a Obra da Salvação de Deus, realizada por Jesus Cristo, presença operante de Deus Uno-Trino, em eterna e perfeita comunhão com o Pai e o Espírito Santo, não só atingiu e contemplou o ser humano, mas toda a obra da Criação: “Deus amou tanto o mundo que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. Deus não mandou o seu Filho para condenar o mundo, mas para o salvar” (Jo 3, 16-17). O termo “mundo,”  traduzido do texto original do Evangelho de João, seria “cosmos,” ou seja, todas as coisas criadas, portanto, toda a Criação ou todo o universo. Sendo assim, ao que crê, Deus atesta a grandeza de sua obra, que tem incidência em todo o cosmo, em todo univeso, no qual evidentemente se inclui os animais. Ainda mais, tal obra é digna de mediação do próprio dom da fé: “para que todo o que Nele crê … tenha a vida”. Aqui, João expressa uma refinada teologia da Criação subjacente na sua capacidade de captar a Salvação que o Verbo encarnado, Jesus, realiza. Tão gradiosa é essa obra de Salvação que se torna sinal e mediação da própria vida eterna, comunicada por Jesus.

Isso vai de encontro com uma justa e precisa teologia da Criação, muito rica e completa, que perpassa a História da Salvação desde a Criação, depois sua coroação em Jesus Cristo encarnado, presente na história do universo em forma humana, perpassado toda a história até chegar nossos dias.

As narrativas do Genesis (cf. Gn 1-2), todo o processo de Criação-Santificação do mundo, expressa na narrativa da Arca de Noé (cf. Gn 6-9), os diversos elementos da natureza em que Deus se utiliza como sinais da sua presença e ação: a água, o fogo, o rio, a pedra, os campos, o monte, as árvores, as pastagens, bem como animais que tornam-se profundas tipologias (símbolos) da sua ação: o cordeiro, a pomba, a rolinha, a gazela, a ovelha, o gado, as feras da mata, os pássaros, os peixes, o boi, a águia, o leão, a galinha. Tantos Salmos belíssimos, cânticos bíblicos riquíssimos que põe em relevo a profunda comunhão simbólica, tipológica, até ritual dos animais e elementos da Criação como sagrados. (cf. Am 1, 2; 2, 12; 7, 12-17; Dn 3,57-88;Ct 2; Jó 32,18-19 ; Sl 8; Sl 22(23); Sl 42; Sl 83(84); Sl 120(121); Jr 20,9; Mt 23,37;At 4,20; 1Pd 1,20; Ap 4-5; Ap 13).

Ao longo dos séculos da era cristã, tivemos grandes elocubrações teológicas acerca da Criação, sempre colocando em relevo como a medição primeira da reveleção divina. Santo Agostinho e Santo Tomás, nas suas grandes obras teológicas, sempre apresentam com estima e esmero, como grande sinal da presença e sabedoria de Deus, que por seu Espírito, nos auxilia na leitura da ação divina, pela contemplação das obras criadas.

Não só na teologia como na vida dos Santos, sobretudo, o grande expoente, São Franscisco de Assis, que, na sua mística diante da grandeza do Amor Criador de Deus, expresso na natureza, a vê até como uma irmã. Ou seja, uma atitude tão reverente ao Criador que o faz, humildemente se perceber como tão pequeno, frágil e dependente de Deus, que não sente-se digno diante de tão grande obra de Amor expressa na grandeza e beleza da Criação. Mais do que uma simples atitude ecológica, Francisco de Assis, reconhece o próprio Deus nas suas obras. É o mesmo espírito que o Papa Franscisco assume quanto se posiciona frente às questões ecológicas atuais.

Por fim, a própria Liturgia da Igreja, no seu precioso ritual de bênçãos, prevê e recomenda a Celebração de  “Bênção de Animais”. Vejamos a relevância dessa celebração conforme descreve o próprio ritual:

“Sabemos que muitos animais, por divina providência do Criador, participam, de certo modo, da vida dos seres humanos, pois prestam-lhes auxílio no trabalho, servem-lhes de alimento e até mesmo distração. Nada impede que, em certas ocasiões, como, por exemplo, na festa de um Santo, se conserve o costume de invocar a bênção de Deus sobre eles.” (Ritual de Bênçãos, Rb. 721)

A rubrica em questão do Ritual de Bênçãos, que introduz as orientações sobre a Celebração da Bênção de Animais, é muito clara quanto à sua importância e dignidade. Vale a pena ainda visitar os textos desta celebração para perceber a beleza e a dignidade que os animais têm em relação à fé cristã. A própria saudação por exemplos é magnífica: “Deus, que é admirável em suas obras esteja convosco.”

Sendo assim, percebendo a riqueza da revelação cristã em relação aos animais, apresentados como sinais da presença e do amor de Deus criador, querer o bem deles, e até pedir uma intervenção especial da Graça sobre eles, desde que se considere seu lugar próprio na ordem da Criação e sua justa relação com o a pessoa de fé, sem equipará-los à humanidade, não há nada que desabone um pedido de uma graça para um animalzinho de estimação. Visto que os mesmos são sinais de bênção e graça divinas. O bom senso, pelo esclarecimento da fé, seja por parte dos donos dos animais, seja pelos que têm o dever de comunicar e invocar a bênção sacramental, contribuirá sempre para a maior glória de Deus e benefício para a pessoa humana.

 

Departamento de Comunicação da Paróquia/Santuário São Judas Tadeu

3 Comentários
  • Maria do Socorro Reis
    Postado em 17:32h, 05 outubro Responder

    Tudo é criação de Deus! Temos o dever de cuidar, amar, e preservar , com muito carinho! Demonstrando gratidão por tudo que envolve o universo, os animais muitas vezes são companhias para idosos, e crianças!!!

  • Karein Castro Reglero
    Postado em 18:42h, 05 outubro Responder

    Sempre passo água benta na minha pequena Frida, que Deus a abençoe sempre.
    Obrigada pelo post. 🙏🙏🙏

  • Celso de oliveira
    Postado em 08:08h, 17 outubro Responder

    Peço a benção e a cura de uma cachorra que me ama muito .quem me dera tiver um amor por alguém que ela tem por mim .essa cachorra se chama Bell ela está com câncer peço a são Francisco cura .por nosso senhor Jesus Cristo amém

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